Câncer de mama: estudo descobre que aspirina pode reduzir risco de metástese e morte pela metade
A análise foi feita na Escola de Medicina de Harvard e divulgada recentemente em The Journal of Clinical Oncology, da American Society of Clinical Oncology (ASCO), sociedade líder no mundo profissional que representa os médicos que tratam pessoas com câncer.
Uma análise dos dados a partir do Nurse’s Health Study, um grande estudo de observação prospectiva em curso, mostra que as mulheres que concluíram o tratamento para câncer de mama em estágio inicial e que tomam aspirina têm risco quase 50 por cento menor de morte por essa doença e redução semelhante no risco de metástase.
“Este é o primeiro estudo para descobrir que a aspirina pode reduzir significativamente o risco de propagação de câncer e morte para as mulheres que foram tratadas de câncer de mama em estágio inicial”, disse Michelle Holmes, MD, DrPH, professora associada de medicina e epidemiologia na Faculdade de Medicina da Universidade de Harvard e Faculdade Harvard de Saúde Pública e principal autora do estudo. “Se esses resultados forem confirmados em outros estudos clínicos, tomar aspirina pode se tornar ferramenta simples, de baixo custo e relativamente segura para ajudar mulheres com câncer de mama a obter vida mais longa e saudável”, afirmou.
Outros estudos
O relatório dos investigadores não deixa claro, ainda, como a aspirina afeta as células cancerosas, mas acredita-se que diminua o risco de metástase, reduzindo inflamação, intimamente associada ao desenvolvimento do câncer. Estudos anteriores também sugerem que a aspirina inibe a propagação do câncer: um deles descobriu que pessoas com câncer do cólon que tomaram aspirina viveram mais tempo do que vítimas da doença que não o fizeram e estudos de laboratório mostraram também que a aspirina inibiu o crescimento e invasão de células de câncer de mama.
Nesta análise, os pesquisadores avaliaram dados de Nurses ‘Health Study, que incluiu 4.164 enfermeiras nos Estados Unidos (com idades de 30 a 55) diagnosticadas nos estágios I, II ou III do câncer de mama entre 1976 e 2002 e foram observadas até junho de 2006. Foi acompanhado o uso de aspirina por estas pacientes durante um ou mais anos depois do diagnóstico de câncer de mama (quando a paciente teria completado o tratamento, como cirurgia, radioterapia e/ou quimioterapia) e a frequência de metástase e morte por câncer de mama. Os autores ressaltaram,contudo, que pacientes sob tratamento ativo, não devem tomar aspirina devido a potenciais interações que podem aumentar certos efeitos colaterais.
Um total de 400 mulheres foram vítimas de metástase e destas 341 morreram. As mulheres que tomaram aspirina dois a cinco dias por semana tiveram reduzido em 60 por cento o risco de metástase. O risco de morte por câncer de mama foi reduzido para 71 por cento. As que tomaram aspirina seis ou sete dias por semana tiveram risco de metástese reduzido em 43 por cento e risco de mortalidade 64 por cento menor. O risco de metástase de câncer de mama e mortalidade não diferiu entre mulheres que não tomaram aspirina e as que tomaram uma vez por semana.
Cautela
Embora os investigadores não tenham recolhido dados sobre doses necessária de aspirina, eles observaram que as mulheres que tomavam aspirina regularmente provavelmente foram também beneficiadas na prevenção de doenças cardíacas; a dose habitual para esse efeito foi de 81 mg/dia.
Apesar das boas perspectivas, pesquisadores recomendam cautela no uso da aspirina, que pode provocar sangramento no estômago e não é indicada para todos. Caso sejam confirmados esses benefícios em estudos clínicos adicionais, os médicos podem ser capazes de recomendar aos pacientes de câncer de mama o uso de aspirina regularmente para reduzir o risco de propagação da doença e mortalidade.